Esta provado cientificamente que interagir positivamente entre as pessoas causam bem estar e até progressos no tratamento de doenças. Carinho, recompensa, gratidão, prazer em fazer bem para ao próximo, amar e ser amado, ter otimismo. Estar aberto para conhecer e interagir com outras pessoas. Somos sensíveis as grandes e pequenas alegrias da vida. Os médicos, agora, buscam uma forma de tirar proveito dos nossos melhores momentos, e quem sabe extrair deles efeitos terapêuticos. Na Universidade do Rio de Janeiro, doutores em neurofisiologia acabam de concluir um trabalho sobre como o cérebro processa imagens de interações sociais positivas. Na pesquisa um grupo formado por 32 universitários saudáveis e que não tomavam remédios capazes de afetar o sistema nervoso central observou 60 fotos, todas com imagens de crianças. A empatia que temos por crianças facilita a análise dos dados e demonstra que todos possuem afinidade e felicidade em interagir com as imagens, aumentando o músculo do sorriso por ser uma característica inerente. As crianças, bebês, tem uma ação entre nós de inspirar o cuidado, instinto materno e paterno de proteção em querer segurar, estar perto. As fotos fazem parte de dois grupos, 30 delas, de adultos interagindo com crianças e a outra metade de pessoas alheias umas das outras, embora estejam próximas. Os serem humanos são animais sociais por excelência, nós dependemos do grupo para sobreviver. O estudo pretende detectar ondas cerebrais que revelem as pistas de segurança e que nos motivem a nos aproximar de situações seguras. As reações foram medidas utilizando 23 eletrodos que captaram as atividades elétricas do cérebro e dos músculos dos braços e do sorriso. Os resultados do grupo comprovaram as expectativas dos pesquisadores, diante das fotografias com interação, ocorreu aumento das atividades do cérebro relacionadas às emoções e do músculo do sorriso espontâneo. Isso que dizer que elas impactaram mais nos voluntários e que foram mais relevantes emocionalmente. A atividade cerebral mostrou ondas 50% mais intensas nas imagens com interação. Os pesquisadores também notaram que as características da vida pessoal e da vida social dos voluntários influenciavam os resultados. As pessoas mais acostumadas a dar e a receber carinho tinham reações mais rápidas e mexiam mais os músculos relacionados ao sorriso e desenvolviam ondas cerebrais mais intensas. No questionário respondido durante a pesquisa, estes voluntários declararam ter pouco medo da rejeição e mais vontade de interagir com outras pessoas. As pessoas acordam e passam o dia todo procurando pistas de segurança, na aceitação da família, no trajeto para a academia, trabalho, na escola, isso é recompensador e as pessoas mudam o estado fisiológico para um estado seguro, obtendo uma vida mais tranqüila. Por isso fala-se tanto em inclusão social. Estar fora do grupo e não ser aceito é uma situação extremamente ameaçadora para o ser humano. Falamos com as pessoas e verificamos, constantemente, se estamos sendo aceitos naquele momento, se estão sorrindo pra gente ou interagindo conosco, sendo recíproco em sua totalidade. Existem evidências recentes que revelam que a dor física é processada pelo cérebro com a mesma maneira que a dor da separação social.
Antes mesmo das pesquisas, neurofisiologistas renomados já defendiam a exposição de imagens positivas no ambiente de trabalho, o mesmo resultado se apresenta no ambiente familiar, onde fotos de infância de momentos agradáveis causam bem estar nas pessoas e o aumento da sensação da segurança e diminuição da tensão. Para viver em uma sociedade mais harmônica, podemos considerar peças de teatro, filmes e vídeos de pessoas se abraçando, crianças cantando. O isolamento social é responsável pelo aumento de patologias graves, como doenças imunológicas, câncer, depressão, cardiovasculares, endócrinas entre outras. O isolamento ocorre mesmo para aqueles que estão cercados de gente, mas não conseguem se relacionar. A matemática do bem estar seria a soma de bons sentimentos mais a produção dos hormônios ligados ao prazer e a satisfação, o resultado é uma pessoa mais feliz e com menos riscos de doenças. Com a possibilidade de realizar a ressonância nuclear magnética funcional, os neurocientistas podem realizar imagens do que acontece no sistema nervoso. Poder observar o comportamento de determinadas áreas do cérebro onde agrupamentos de neurônios apresentam resultados diferentes, significa que existe uma base orgânica para aquela resposta e motivam a continuidade dos estudos de fenômenos que realmente existem. Os neurônios lançam prolongamentos e assim controlam várias células do organismo, eles liberam moléculas, os neurotransmissores para as células mais próximas. Há também neurônios que lançam substâncias na corrente sanguínea que podem chegar a células nas partes mais distantes do corpo. Um exemplo é a ocitocina, um hormônio conhecido como o hormônio do amor, liberado nas relações sexuais, no momento do parto para amenizar a dor e também durante a amamentação que a partir da sucção feita pelo bebê, o sistema nervoso age por reflexo e provoca a produção da ocitocina, após a liberação ele vai até as células da mama provocando a saída do leite. A mesma substância está relacionada à sensação de bem estar. Se a ocitocina fosse borrifada no mundo as pessoas seriam mais felizes. Ele é capaz de ativar o sistema de recompensa. Os estímulos positivos que realizamos diariamente, como no afago ao bichinho de estimação, no álbum de fotografias da infância, nos exercícios diários, ao observar o céu azul, a chuva que molha as plantas, observar as folhas caindo, ir à praia apenas para caminhar e sentir a brisa do mar, reservar um período do dia para relembrar os momentos felizes recentes e lembrar-se disso com freqüência faz com que a vida do indivíduo valha a pena ser vivida. Manter um pensamento positivo não é tão fácil quanto parece, requer disciplina e um estado de espírito voluntário. Praticar a generosidade e a solidariedade funciona como estrada de mão dupla, provoca boas emoções para quem recebe e para aqueles que doam. Não existem estudos que comprovam que as pessoas que praticam o pensamento positivo vivam mais, mas, mesmo que vivendo menos tempo, terão vivido mais intensamente.






